"Tinha esperança de que você tivesse mudado, meu irmão, que tivesse notado a existência de outras pessoas no mundo. Que você tivesse começado a ver as pessoas como algo além de coisas que sonham."
Vidas breves é o sétimo encadernado de sandman e também pode ser considerado o começo do fim da série. Nas próprias palavras de Neil gaiman, depois dessa saga tudo que ele teve que fazer foi "amarrar as pontas soltas". Há uma cena, no começo da historia em que um homem de 15 mil anos de idade, chamado Bernie Capax morre, quando ele encontra com a morte, pergunta se se saiu bem, depois de ter vivido tanto tampo. A morte responde:
“Viveu tanto quanto qualquer outro, bernie, nem mais nem menos. Uma vida completa.”
Essa breve cena carrega o espírito de toda saga. Afinal, humanos, deuses e até perpétuos, mão duraram para sempre, cada existência é breve e limitada. Quando encontramos sonho, vemos que ele esta sofrendo por mais uma desilusão amorosa. Ele age com certa infantilidade, criando literalmente uma tempestade pelo problema, ficando sem querer ver ninguém, como um adolescente que se tranca seu quarto. Nesse momento tem o primeiro grande dialogo (na verdade um monólogo) da saga:
“Isso é tolice. Por que sofrer tanto? Eu mal a conheci. Um punhado de meses, pouco mais...Eu teria lhe dado mundos só seus, atados como safiras e esmeraldas em um cordão de seda. Eu teria lhe dado...Eu não paro de pensar em seus olhos fitando o infinito. Olhos frios, avaliando-me desapaixonadamente...E no fim, ela me disse. Mas eu já sabia. Estava lá, em seus olhos. Ela tinha decidido não me amar mais.”
E também há Delirio, o mais instável dos perpétuos, se se sente triste e decide ir procurar o irmão perdido, Destruição. Primeiro ela pede ajuda a Desespero, depois a Desejo e finalmente a sonho, que por seus motivos próprios decide participar dessa busca. Ele ainda acabara pagando bem caro por isso. Então começa a viagem dos dois perpétuos pelo mundo do despertos, encontrando Deuses, gente diferente, personagens de varias mitologias, tudo no melhor estilo neil gaiman. .
Um destaque dessa saga são os hilários diálogos entre Destruição e Barnabé, seu cachorro. Durante toda saga Destruição tenta fazer vários tipo de arte e sempre acaba fracassando, o que leva aos comentários sarcástico do cão. Quando o cachorro diz que as cores do quadro que o perpetuo pintou estão ruins, destruição diz:
- Eu achei que cachorros não podiam ver cores.
o cachorro responde: - Engraçado, olhando esse quadro eu achei que você não podia ver cores.
Sobre a arte, pode-se dizer que ela casa perfeitamente com a historia. Jill thompson desenha de um jeito suave, beirando levemente ao caricato, mas que funciona perfeitamente bem.
Mudança é o tema recorrente dessa saga, afinal Destruição significa mudança, ele mudou, entretanto, Sonho e Delírio tentam aplaca-la. Vidas breves é uma grande historia, o autor nos mostra mais na personalidade de seus personagens e mesmo com todo humor, é uma saga trágica, o que só reafirma a já citada máxima da saga: Toda vida é breve. E isso se mostrara essencial não só para essa historia, mas para toda a mitologia de sandman.



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